
SOBRE OBRAS

A poética de Mateus Di Castro reside na simbiose entre o misticismo e a carne. Nascido em Belo Horizonte e radicado na experimentação das artes visuais, o artista articula sua prática em torno das tensões do subconsciente e das alegorias do "Eu".
Di Castro investiga as fronteiras entre a identidade e o abismo psíquico. Sua produção atual é um exercício de dualidade identitária, onde a pele e a tela se fundem para dar corpo ao que é invisível. Através de uma pesquisa centrada na fragmentação do ego, o artista utiliza a pintura como um campo de batalha entre o rigor do realismo e a urgência do gesto.
Em séries como Cartas para Juliana, o trabalho de Di Castro transborda o pessoal para tocar o coletivo, transformando o luto e a memória em matéria pictórica. Suas composições, marcadas por uma estética visceral e muitas vezes sombria, abandonam a clareza em favor do "turvo" — uma zona de penumbra onde a psique humana é exposta em sua forma mais crua. Entre a tradição da pintura e a herança do desenho gestual, sua obra não busca apenas a contemplação, mas o confronto: um convite ao estágio catatônico da autoavaliação.
CURRÍCULO
EXPOSIÇÕES
CARTAS PARA JULIANA (INDIVIDUAL) - ABRIL 2026
- Mercado Novo - Belo Horizonte
MONARTO STUDIO (COLETIVA) - JANEIRO 2026
- Espaço 356 - Belo Horizonte
CATEDRAL DE PENSADORES, POETAS E SOLIDÕES (INDIVIDUAL) - OUTUBRO 2025
- Cantina Azul - Belo Horizonte
SFUMATO ART GALLERY (COLETIVA) – NOVEMBRO 2024
- Carroussel du Louvre – Paris, França
KALUS CIRCENSES (INDIVIDUAL) - AGOSTO 2024
- Galeria Gilda Queiroz – Belo Horizonte
SESSION 5 (COLETIVA) - JULHO 2024
- Galeria Azur - Berlim, Alemanha
SINFONIA EM FRAGMENTOS (INDIVIDUAL) - JUNHO 2024
- Livraria da Rua - Belo Horizonte
- Sakana BNDSK - Belo Horizonte
RESIDÊNCIA
MONARTO STUDIO – 2026
- Belo Horizonte, Brasil
SFUMATO ART GALLERY – 2024
- Londres, Inglaterra
MATÉRIAS
- Revista Diverso/Tendências: Novas Perspectivas
- Entrevista no programa Fusão/TV Banqueta
- Menção: Mapa das Artes, Blog Paulo Navarro

“Espelho de dar nós, a refletir pureza suja. Nossa visão de nós mesmos vem sempre acompanhada de sentimentos intricados. Uma auto pesquisa que muito retrata o que outros observam, ao nos auferir títulos, sejam eles positivos ou negativos. Quando mergulhamos em uma jornada de nos conhecer, em um eterno levar-nos a sair com nós mesmos, comer com nós mesmos, conversar com nós mesmos, passamos pelo doloroso e gratificante processo de saber quem somos, e se gostamos daquilo que a gente vê, escuta, e entende. O autorretrato nada mais é do aquilo que sobra quando retiramos a poeira daquele velho espelho com adornos bonitos, é a parte real e palpável da mais crua análise comportamental e sentimental, feita pelas vísceras do pensamento. Em meu retrato será minha vez de usar o ‘Eu’. Aqui a reflexão não é aberta, a pessoa é primeira, a casa é minha; mas, a convite meu, você vem. De um quadro-hóstia, onde o corpo é entregue como presente para absorção e aceitação para que, das minhas verdades intrínsecas, permita você se ver. Sou descarrego, sou liberação de sentimentos até então amorfos à vitalidade, tiro aquilo que me inibe crescer. A cura de se achar que é o centro, causa única de alegria ou tristeza, a ‘porca mania de se ver em tudo’, quando, tantas vezes, nem estou lá.
O macaco é prefácio, base despida até de órgãos. As faixas de camuflagem neutra tentam pifiamente me esconder, em um fundo cinza, no concreto cinzento real e mundano. Marmorizado, uma vez que, assim como da terra vemos o céu, do cinza cimento vemos o brilho de marmoreio. Ao fundo, o rosto sem expressão, sem protagonismo, muitas vezes me pondo secundário em meu próprio mundo, que vem em círculo na cabeça, e dela caem as gotas de chuva que embaçam. Turva a visão em riscos na tela, e turva ela segue debaixo de meu guarda- chuva de m*rda, onde chove em cima daquele que deveria proteger, a me revelar o outono do surrado apelido infanto-juvenil ‘meu mundo caiu’, que não me deixava crescer. Da baba foge a tarja, enfim igualmente brancas, o leitão em raio-x, ele que é a exposição de toda culpa, todo peso, toda podridão. A âncora, envelhecida e desnecessária proteção, se esvai na tela. Uma liberação de sentimentos ruins que de mim agora escapam e me possibilitam um poema. Uma orquestra de sentimentos ruins que, afinal, me revelam uma canção, assim como aquela velha e batida prosa que, de um dia ruim, se faz o melhor do cinema. Abre-mundos, os próximos lhes darei alegria, da pandora que abri só libertei esses que agora vê.”
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